Aderimos às imagens desde o momento em que concordamos com a sua não-referencialidade; e as vidas tornam-se bidimensionais, depois unidimensionais, e, por fim, nulodimensionais. Quando seres humanos tridimensionais são reduzidos a um ponto (um número da estatística, um cliente de banco, um ponto ou um traço nas cotas de audiência, um contribuinte, um número de cadastro, etc.) são, naquela função, seres nulodimensionais. Quando se transformam ou são medidos por uma carreira, um currículo, uma trajetória, são considerados apenas em sua unidimensionalidade. E quando são medidos pela imagem que apresentam, ou se exige deles que façam ou tenham uma boa imagem, são amputados em sua dimensão de profundidade, em sua complexidade crepuscular, são pasteurizados para se desfazerem das marcas e cicatrizes de sua história.
Nossas vidas reduzidas são uma decorrência imediata do mecanismo da transferência dos nossos corpos para as imagens, para as carreiras, para as funções pontuais, porque aceitamos passivamente transformar nossos corpos em imagem, em linha, em número.
BAITELLO JR, Norval (2005). “Incomunicação e Imagem”. In. BAITELLO JR, Norval; CONTRERA, Malena Segura; MENEZES, José Eugênio de O., (Orgs.). Os meios da incomunicação. São Paulo: Annablume; CISC.71-80..
(via schattengestalt)
